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Vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais

Apesar de certos preconceitos, o vinho natural não é um gênero de vinho, mas uma abordagem à vinificação.


Por Wallace Neves Fotos Mauro Marques

Em função da força que a discussão sobre a sustentabilidade ganhou nos últimos anos, hoje nos referimos a ela como um movimento global. O futuro do planeta é uma preocupação urgente que está sendo tratada em vários níveis: governamental, corporativo e pessoal. Nós, seres humanos, estamos tomando consciência de nossas ações, tornando-nos mais responsáveis na tomada de decisões. E diante deste chamado a indústria vitivinícola não ficou para trás. Nesse artigo irei compartilhar algumas informações panorâmicas sobre os

vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais.


Vinhos Orgânicos

São elaborados com uva de cultivo orgânico, ou seja, utilizam produtos naturais no controle de pragas e para o equilíbrio do vinhedo. Por não utilizar agrotóxico ou intervenção química, geram um vinho mais puro e saudável, pois não carregam resquícios de pesticidas que causam danos à saúde. A conservação das características naturais das uvas neste processo faz com que elas expressem toda a sua tipicidade na taça.

Vinhos Biodinâmicos

Produzidos sem o uso de adubos sintéticos, pesticidas, herbicidas, etc, são usados adubos orgânicos e os preparados biodinâmicos em doses homeopáticas, cuja função é harmonizar e intensificar a ligação do vinhedo com o cosmo: sol, lua e planetas. O vinhedo é considerado um organismo vivo, onde se trabalha a cura da terra, o bem-estar dos animais, a produção dos produtos saudáveis e maior contato com os consumidores, resgatando assim a relação

ética e espiritual com o solo, as plantas, os animais, o ser humano e o cosmos.


Vinhos Naturais

O termo vinho natural evoca uma infinidade de reações. Para alguns, simboliza um movimento cultural em direção à vinificação honesta, para outros, é apenas uma moda para vinhos funky. O termo é tão vago quanto vasto. Há quem acredite que natural deve se referir apenas a vinhos zero-zero (vinhos que não têm sulfitos adicionados e aplicam uma abordagem de vinificação minimalista). No entanto, o termo é mais geralmente entendido como um status guarda-chuva que abrange qualquer vinho feito com atenção ao ecossistema e à biodiversidade, vinificação de baixa intervenção e uma representação autêntica do terroir que não usa pesticidas químicos, herbicidas, fungicidas ou fertilizantes. Promove o uso de leveduras nativas naturais para estimular a fermentação e evita qualquer chaptalização (adição de açúcar antes da fermentação).


O uso de sulfitos é geralmente tolerado em escala móvel, onde os vinicultores procuram adicionar o mínimo possível, porém uma quantidade mínima é aceita muitas vezes na fase de engarrafamento para proteger a estabilidade do vinho. É, em muitos aspectos, um retorno à vinificação tradicional e ao savoir-faire, com um esforço para limitar a poluição e máquinas por colheita manual, usando cavalos para arar entre as vinhas e contando com a gravidade para manipular as uvas durante a vinificação. Apesar de certos preconceitos, o vinho natural não é um gênero de vinho, mas uma abordagem à vinificação. Os resultados são diversos, desde vinhos artesanais e rústicos fáceis de beber, até alguns dos cuvées mais reverenciados e elegantes do mundo.


  • Wallace Neves é do Rio de Janeiro, onde atuou como Sommelier nos principais restaurantes e hotéis da cidade. É certificado ISG pelo TEP - Teacher Education Program da International Sommelier Guild, professor da Associação Brasileira de Sommeliers e jurado em concursos de vinhos no Brasil e no exterior. Entre outros prêmios conquistou os títulos de “Campeão Concurso Sommelier (2011)”, “Sommelier do Ano Rio Wine And Food Festival RJ (2016)” e “Melhor Sommelier do Brasil em Vinhos do Alentejo (2017)”, tornando-se Embaixador dos Vinhos do Alentejo no Brasil.


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