Um PIB pra chamar de grande

No Brasil, os dados revelam que entre 26% do nosso PIB, no ano de 2020, é proveniente do agronegócio.


Por Adalberto Deluca

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O que faz o PIB brasileiro nos dar boas expectativas? Um dos gargalos mais contundentes para a consolidação da nossa economia sempre foi a infraestrutura que contemplasse a dimensão territorial e a diversidade multicultural de nosso meio produtivo. É sabido que o agronegócio tem sido a locomotiva da nossa economia há anos - e crescendo sempre. Também é sabido que não agregamos valor à essa plataforma de negócios e o que travou o ganho proporcional ao volume produzido é justamente a infraestrutura. Agora já podemos olhar para o futuro com mais esperança quando acompanhamos os maciços investimentos, obras e concessões por todo o país, criando modais antes esquecidos, reestruturando a malha ferroviária, tirando do papel os aeroportos de carga, sem deixar de manter a estrutura rodoviária. Assim, podemos expandir fronteiras agrícolas, levar as indústrias que suprem o agronegócio para mais perto do campo e, principalmente, reduzirmos o custo Brasil, famigerado e até há pouco sem solução.


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É constituído de vários barcos conectados, por exemplo 40 barcos, que navegam juntos na corrente natural do rio e, portanto, com mínimas tensões e mínimos estresses nas conexões entre um barco e outro.


Se olharmos o que está acontecendo em 2021 com uma acelerada retomada da economia com projeções de crescimento na casa dos 6%, puxado pela indústria, uma vez que o comércio e os demais serviços estão ainda sob o jugo da crise sanitária, podemos imaginar o dinamismo de curto prazo e de longo prazo que a economia pode tomar. O que o crescimento do PIB nos traz de melhor é que esse crescimento é ancorado, ou seja, tem sustentação. Outrora, tivemos grandes crescimentos também, mas quase sempre suportado pelo governo através de subsídios, pelo consumo, que tem um ciclo curto de expansão, pois destrói a poupança interna, que por sua vez tem difícil recuperação dada a disparidade entre os estratos sociais de nossa população onde a classe média e as mais baixas gastam, mas demoram a retomar o poder de compra.


A ancoragem do PIB nesse momento e olhando-se para o futuro está firmado em alguns aspectos importantes e imprescindíveis à sua sustentação. São eles: a reforma trabalhista de 2018, que proporcionou um ambiente jurídico mais estável; a reforma tributária que pretende simplificar e dar mais equilíbrio nas contribuições de empresas e pessoas físicas; a reforma administrativa que, se não reduz o peso cartorial dos negócios, pelo menos cria duas virtudes, com um estado menos oneroso e maior agilidade nos processos que dependem da máquina pública; de sobra ainda temos a possível reforma política que poderá também reduzir a influência dos entes governamentais - federação, estados e municípios - sobre o ambiente de negócios. Nesse último caso devemos buscar inspiração para o valor que isso traria olhando casos como a Itália, cuja economia está ancorada no micro empreendedorismo e grandes conglomerados garantindo o complemento do PIB de lá, mesmo assim, diante de crises políticas não se vê transtornos ao meio dos negócios. É isso que devemos perseguir, um estado forte no que lhe é designado - educação básica, saúde básica e segurança pública.


Só! Ademais, o mundo empresarial cuida de promover o bem comum, gerando oportunidades, riqueza e renda, que se espera seja cada vez mais bem distribuída. Ficarão nos devendo ainda uma profunda reforma do judiciário para garantir a investidores internacionais um ambiente jurídico que permita honrar-se contratos e acordos firmados.



Se aprofundarmos o olhar sobre as causas que nos permitem crer em um PIB em expansão contínua podemos ver o crescimento e estabilidade da Bolsa de Valores brasileira que já manteve o nível de 120 mil pontos, mesmo em plena crise sanitária, e tem um fila de IPOs prontas para criar capital de giro a empreendimentos prontos para crescer; a retomada do turismo, que tem também um excelente volume de investimentos e estímulos; a expansão do meio tecnológico como investimento e não apenas como aquisição via importação - esse inclusive merecendo duas observações importantes, quais sejam, a inovação em si e a transferência de locação dos meios que produzem esse elemento do PIB para o interior do Brasil, principalmente para o Nordeste, gerando diversificação, inclusão e renda descentralizadas dos grandes centros econômicos até então soberanos. Desse modo, saímos do eixo Rio-São Paulo para o Sul de Minas Gerais, para o Centro Oeste e para Recife, Camaçari na Bahia e outros que germinam.


Há, portanto, um PIB que nos faz pensar com otimismo para os próximos anos e traz esperança de que a sociedade se transforme através de investimentos contínuos em educação de base, avanço tecnológico e distribuição de renda mais adequada às aspirações de uma nação que quer ser grande.

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