Paulo Sérgio Justino, fundador da FCJ, empreendedor desde menino

A gente resolve não só a dor da startup, mas também da corporação e dos investidores.


Da redação

Fotos Divulgação



A passagem do tempo não é linear. É singular e define a trajetória de cada pessoa – física e jurídica. Há os que assistem à passagem do tempo. E outros, movidos pela inquietação e desejo de vencer, protagonizam. Desmancham a crença de que 2 + 2 é, necessariamente, 4. Nessa reflexão, desponta a figura de Justino, Paulo, criador da FCJ Venture Builder, que completou 8 anos de existência. Nesse tempo relativamente curto, a FCJ tornou-se a maior do gênero na América Latina, com cerca de 800 colaboradores no Brasil e no exterior. Aos 53 anos, nascido em Uberlândia (MG), Justino é o primogênito de uma prole de cinco filhos homens. Marido, pai, avô e colecionador de boas amizades pegou no batente desde cedo. Por natureza, sempre levou em conta que cavalo arreado só passa uma vez. Um sonhador com sangue no olho. Estudou, fez faculdade, mas considera-se um autodidata. Bom de frase, costuma dizer que “o segredo está em sair na frente, e não correr atrás”.


Inquietação permanente

De ajudante de marceneiro do pai, aos 19 anos, foi parar na boleia de um caminhão, rodando estradas pela empresa Martins. Optou por um downgrade ao ser admitido como manobrista. Em um ano, já era concursado na organização, depois de passar pela digitação e desenvolver um software a partir da leitura de um livro que pediu ao chefe para comprar. O software, resultado do seu esforço de autodidata, substituiu um emissor de relatório de bordo caro e ruim. Daí foi trabalhar no CPD da empresa. Hoje, manifesta sua admiração pelo Sr. Alair, fundador do Grupo Martins, pela oportunidade que teve para crescer, dentro da empresa. Fala de sua passagem pela Arcom – fundada em 1965, que atua no ramo do atacado distribuidor. Lembra com carinho do Sr. Dilson, fundador da empresa, com quem viajava, com frequência, dentro e fora do país. Ressalta a simplicidade do empresário, que começou do zero. “Existe um mundo possível fora da classe média. A simplicidade do Sr. Dilson fazia com que ele nunca ostentasse”.


Do nome ao modelo escalável

Sobre o nome FCJ, acrônimo de extração familiar definido de forma despretensiosa, Justino prefere sustentar a metáfora de que significa “o índice de dureza do concreto, o FCK, sigla da engenharia, em inglês, referente a Feature Compression Know. “Reflete o nosso pensamento de criar uma empresa sólida. Eu diria que a FCJ refere-se à resistência do concreto à compressão em J dias de idade”, equaciona, com humor.


Lembra que “de 2013 a 2018, só tínhamos uma venture builder. Em 2018, percebemos que poderíamos lançar uma segunda venture builder. Já em 2019, com quatro venture builders, decidimos lançar o modelo de corporate venture builder – um voo mais alto, dada à escalabilidade do sistema”.


O CEO da FCJ acrescenta que “passamos a licenciar esse modelo, o que configurou uma guinada fundamental. Hoje temos 26 corporate venture builders, que despertaram a atenção e o interesse do mundo todo”.


Venture builder 4.0

As venture builders nasceram nos EUA em 2011, onde as empresas resolveram criar ambientes internos de inovação – via startups. Nos últimos oito anos, o modelo evoluiu, a percepção do mercado também. “O modelo desenvolvido pela FCJ é o que eu chamo de vb 4.0. A gente resolve não só a dor da startup, mas também da corporação e dos investidores. Passamos a ser identificadores de startups que viessem a resolver as dores de uma empresa. Ou de uma simples demanda”, diz Justino.


Startups inovadoras

Nas corporate venture builders da FCJ, depara-se com várias verticais. Para que se possa, por exemplo, identificar uma startup na área da saúde, é necessário que a banca de seleção tenha médico, biólogo – quadros especializados na área. “Nos comitês de seleção das nossas corporate venture builders, contamos com pessoas do ramo e que entendem do assunto. Há os especialistas, sensíveis ao conceito de inovação e sabedores da nossa visão de escalabilidade. É um conjunto de pessoas e a decisão é sempre coletiva. Entrevistamos um grande número de startups para se escolher uma”, explica.


Perfil do empreendedor

Justino considera que o empreendedor deve ser uma pessoa com grande capacidade de execução, de operação, e que se disponha a ouvir, deixar-se orientar e aprender. Menciona o conceito de accountability – que engloba controle, fiscalização, responsabilização, prestação de contas.


“Buscamos pessoas com sangue no olho, que queiram fazer e, sobretudo, que tenham propósito. Não se monta um empreendimento só para ganhar dinheiro. Não é isso! É fundamental impactar a vida das pessoas. Motivação, engajamento e accountability”, explica Justino.


Do Brasil para o mundo

No processo de internacionalização, a FCJ já está incorporada na Europa, EUA, México e outros países. “Estamos em franca expansão dentro e fora do país. Nosso objetivo é ser uma empresa global. Atualmente, contamos com profissionais altamente qualificados na Europa e nos Estados Unidos”.


Resultados

Justino cita o exemplo da Psicologia Viva, que nasceu junto com a FCJ, com um aporte de R$ 1 milhão. E hoje, depois de algumas fusões, é avaliada em R$ 50 milhões. “No que se refere à FCJ, nós crescemos acima de 100% durante 8 anos consecutivos. É um crescimento exponencial. Muitos dos nossos investidores iniciais continuam com a gente. A média que colocamos, para o investidor ter resultados, é de 5 anos. É o tempo que se gasta para desenvolver uma startup e vender sua participação ao mercado”, observa.


Startup – sempre startup

Justino orgulha-se de ser uma startup, a despeito do crescimento exponencial. “Startup não é só o estágio – é o estilo. No Brasil, mesmo depois de atingirem estágio de desenvolvimento elevado, essa nomenclatura é mantida. É uma questão de modus operandi do jeito de pensar de uma startup, que é sempre marcada pela inovação”, ressalta.


Caráter inovador

Essa característica revela-se quando uma pessoa enxerga algo inovador, onde ninguém conseguiu ver. Consiste em olhar para um processo, para uma tecnologia, para uma dor e propor algo novo, onde ninguém conseguiu ver como oportunidade. “Está aí a grande sacada. Depende muito das pessoas, da equipe. O caráter inovador de uma startup é ver uma dor que não é só dele, uma dor de mercado. E que alguém esteja disposto a pagar pela solução. Transformar dor em oportunidade. Não basta ter uma ideia, que às vezes pesa menos de 10% na busca da solução. A capacidade de operacionalizar faz uma startup, realmente, inovadora”, diz Justino.


O criador da FCJ ressalta que é crescente a busca de solução, pelas empresas, por meio das startups, que substituem os antigos departamentos de P&D. Ele acredita que os próximos dois anos vão ser marcados pela inovação corporativa.


“Nesse processo, é fundamental a figura do investidor anjo – aquele que põe o dinheiro no momento em que ninguém quer colocar. A maioria só quer ver a startup faturando. O investidor anjo são pessoas físicas que contribuem para as corporações se modernizarem, diversificar negócios, por meio das startups”, conclui Justino.


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