Origem dos vinhos

Conheça um pouco mais sobre os melhores vinhos do mundo.





Por Breno Merola | Qualimpor

Fotos Divulgação


Alentejo

Esta Denominação de Origem Controlada (DOC) é composta por 8 sub-regiões com longa tradição na produção de vinhos e a que tem maior diversidade de tipos de solos. Caracterizada por Verões quentes e secos, Primaveras e Outonos amenos e Invernos pouco rigorosos. O Alentejo é uma das regiões vinícolas mais recentes de Portugal, enquanto região com conjunto de regras próprias, em termos de limites geográficos e regras de produção. É uma das regiões mais quentes e onde chove menos em Portugal. Em Reguengos a precipitação média anual não chega aos 400 milímetros (= 4 ou 5 torós em São Paulo). Com grande incidência solar, as plantas obtêm muito mais horas luz por ano, fazendo com que as uvas amadureçam muito mais cedo e sem problemas. Solos de argila e calcário, onde as raízes não necessitam mais do que 2 ou 3 metros para encontrar os seus nutrientes. Terreno plano que faz lembrar o Centro-Oeste Brasileiro, com poucos acidentes geográficos, onde podem ter o auxílio das máquinas no processo da vindima, permitindo grandes produções.


Douro

O Alto Douro Vinhateiro é a região demarcada mais antiga do mundo, com um clima muito particular, amenizado pela frente do rio Douro e pelos solos xistosos e cascalhentos. O Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, criou a Região Demarcada do Douro; foi a primeira região vitivinícola a ser demarcada e regulamenta em 1754. Para delimitar o espaço físico da mais antiga região demarcada do mundo (54 anos) foram implantados 335 marcos de granito ao longo do vale do rio Douro e seus afluentes. Segundo fonte do IVDP são 43 mil hectares ocupados por vinhas, estando consagrados apenas 31 mil hectares à denominação de Origem Porto, com aproximadamente 39 mil viticultores, sendo que desses, somente 25 mil beneficiam da produção de Vinho do Porto. Chove sem parar de novembro a março/abril e faz um calor absurdo a partir de julho. Os vinhos são muito mais ricos em acidez do que os vinhos do Alentejo. Necessitam de mais tempo em garrafa e que não são tão fáceis de beber para os iniciantes no mundo do vinho. Solo de Xisto, pedra típica da região. As uvas têm que lutar muito mais para sobreviver e as suas raízes chegam a 30 metros de profundidade (contra 2 ou 3 metros do Alentejo). Uvas mais concentradas e com bastante tanino - não estão de imediato prontos. Características mais minerais. Região caracterizada por montanhas e vales. Pode receber 30% ou 40% de luz a mais e desenvolver-se mais rapidamente. Vinhos menos regulares e menos safras excepcionais.


Quinta do Crasto

Com uma localização privilegiada na Região Demarcada do Douro, no Norte de Portugal, a Quinta do Crasto é propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. Tal como as grandes Quintas do Douro, a origem da Quinta do Crasto remonta a tempos longínquos na história do país: o nome Crasto deriva do latim “castrum” e significa “forte romano”. Os primeiros registros conhecidos referentes à Quinta do Crasto e sua produção de vinhos datam de 1615, tendo a mesma sido posteriormente incluída na primeira Feitoria, juntamente com as Quintas mais importantes do Douro. Entre 1758 e 1761, o Marquês de Pombal mandou instalar no Douro 335 marcos - pedras graníticas com dois metros de altura, 30 centímetros de largura e 20 centímetros de espessura - para delimitar aquela que seria a primeira região vinícola demarcada do mundo. Um marco pombalino, datado de 1758, pode ser visto na Quinta do Crasto junto à casa centenária. Este, tal como os outros marcos pombalinos inventariados, foram classificados na década de 40 do século passado como imóveis de interesse público nacional.


No início do século XX, a Quinta do Crasto foi adquirida por Constantino de Almeida, fundador da marca e casa de vinhos Constantino que se notabilizou pela produção e exportação de Vinho do Porto e também de Brandy, e cujo slogan publicitário “A fama do Constantino já vem de longe” - perdura até aos dias de hoje. Em 1923, após a morte de Constantino de Almeida, foi o seu filho Fernando Moreira d’Almeida que se manteve à frente da gestão da Quinta do Crasto, dando continuidade à produção de Vinho do Porto da mais alta qualidade. Em 1981, Leonor Roquette, filha de Fernando Moreira d’Almeida, e o seu marido Jorge Roquette assumiram a maioria do capital e a gestão da propriedade e, com a ajuda dos seus filhos, deram início ao processo de remodelação e extensão das vinhas, bem como ao projeto de produção de Vinhos do Douro de Denominação de Origem Controlada (DOC), pelos quais a Quinta do Crasto é amplamente conhecida, nacional e internacionalmente. Esta é assim a quarta geração da família à frente da gestão desta emblemática quinta que a todos seduz pela qualidade que faz questão de imprimir em todos os seus produtos. A Quinta do Crasto possui hoje uma gama de produtos muito completa, desde Vinhos do Douro brancos e tintos, Vinhos do Porto de categorias especiais e Azeites Extra Virgem, com diferentes níveis de preços, posicionando-se essencialmente nas gamas premium e super premium. Ao longo dos últimos anos, todos os produtos da Quinta do Crasto têm vindo a ser altamente reconhecidos, quer pelo público em geral, quer pela crítica especializada, o que para a Quinta do Crasto assume a maior importância e responsabilidade face aos seus clientes e parceiros que, ano após ano, a brindam com sua preferência.


Herdade do Esporão

A Herdade do Esporão é a nossa casa mãe. O lugar onde tudo começou e o onde o sol continua a pôr-se com a mesma beleza há 750 anos. Entre suaves planícies, vales profundos escavados por ribeiras intermitentes, campos de cereais, vinhas e olivais encontramos a Herdade do Esporão. Num retrato típico do Alentejo, a poucos quilômetros de Lisboa e junto à histórica cidade de Reguengos de Monsaraz, onde os montes e as casas caiadas marcam a paisagem e guardam em si a memória de uma vivência. Uma vivência que nasce na pré-História com as antas e dolmens, e que foi progredindo pelas mãos dos íberos, romanos, visigodos, muçulmanos e outros tantos que por ali passaram. Em 1267, os limites geográficos da Herdade do Esporão (inicialmente Defesa do Esporão) foram, finalmente, definidos e até hoje mantêmse praticamente inalterados. Soeiro Rodrigues, juiz da cidade de Évora, terá sido um dos primeiros proprietários, seguido do mestre de Santiago Rodrigues de Vasconcelos, do Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos e os condes de Alcáçovas. Durante esta época, no centro da Herdade do Esporão, ergueram-se três monumentos históricos: a Torre do Esporão, um símbolo de afirmação na sociedade e demonstração de poder militar, é uma das torres mais importantes na ilustração da transição da idade medieval para a idade moderna em Portugal; o Arco do Esporão e a Ermida da Nossa Senhora dos Remédios, ligada a um intenso e devoto culto na região que leva as gentes da aldeia vizinha das Perolivas em procissão sempre que a chuva tarda em chegar. Em 1973, José Roquette, o atual proprietário, e Joaquim Bandeira compram a Herdade do Esporão e iniciaram, juntos, uma história que ainda hoje se escreve. Em 1985, realiza-se a primeira colheita que acaba por dar origem à marca Esporão e ao nosso primeiro vinho, o Esporão Reserva Tinto. Oito anos depois, começamos também a produzir azeites.


Nasceram novas vinhas e renovaram-se antigas. Criamos um Campo Ampelográfico com 189 tipos de castas para estudo de comportamento. Fomos descobrir mais sobre o nosso terroir e encontrámos sete tipos de solo diferentes em toda a herdade. Percebemos que cada solo, cada casta, cada talhão, cada parcela e cada vinha tinham de ser cuidados de forma individual e olhados com detalhe. E o mesmo aconteceu no nosso Olival dos Arrifes. Aprendemos muito sobre a herdade, crescemos em conhecimento, técnicas e em todo o trabalho desenvolvido no campo, até chegarmos, hoje, a uma agricultura biológica. Na adega, aplicaram-se novas técnicas e construíram-se novas infraestruturas para elevar o nível dos nossos vinhos. Primeiro, a Adega dos Lagares, para vinhos tintos de topo, onde hoje o passado e o futuro andam de mãos dadas entre talhas de barro, lagares de mármore e túlipas de betão. Mais tarde, acabou por nascer também um lagar equipado para fazermos os melhores azeites e hoje, a finalizarse, está uma nova adega de brancos. Desenhamos e demos vida a um Enoturismo, que amplifica a experiência que é visitar este lugar. São já milhares de pessoas que por aqui passam todos os anos e desfrutam da paisagem, das caves e adegas, dos nossos vinhos e azeites, da gastronomia, da cultura da região, e acima de tudo saem daqui a fazer também parte desta história. Quem passou, quem ainda está para vir, quem trabalhou e quem hoje trabalha, não há como ficar indiferente a este território de vinha, olival e outras culturas. São 40 tipos de castas e quatro tipos de variedade de azeitona que se estendem até as nossas mesas. São muitos anos de história que os números não conseguem contar, mas que a cada visita, a cada copo de vinho e a cada fio de azeite, vamos desvendando mais um pouco. São 750 anos de um território. E ainda há tanto para descobrir.


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