O sentido da corrida

Correr traz benefícios para a saúde física e a dedicação para treinar pode ensinar lições importantes para viver o melhor possível.

Por Tatiane Alves

Fotos Divulgação


A corrida de rua é um dos esportes que mais cresce no mundo. Não só pela facilidade da prática, mas pelos benefícios que vêm atrelados a ela. Faz bem para o cérebro, te deixa mais feliz e pode aliviar a ansiedade mais do que qualquer remédio. Só quem corre sabe o que é participar de uma prova de corrida ou correr com amigos. Se você pensar bem, correr é o esporte individual menos solitário que existe. Sempre tem alguém correndo por aí, nas ruas, nos parques... A lista de pessoas que descobriram que correr é mais que um esporte, mas um estilo de vida, é imensa.


Corrida: saúde, prazer e qualidade de vida

Tatiane Alves - 44 anos, publicitária, praticante de corrida e crossfit - “Fui fumante dos 20 aos 33 anos, maior arrependimento que eu tenho na vida. Ah, se eu pudesse voltar no tempo! E aos 33 anos descobri a corrida. A corrida de rua começou com um primeiro passo que mudou minha vida. Meu objetivo/sonho era dar uma volta completa correndo sem parar no Parque do Sabiá (5 km a volta completa), independente do pace/tempo. Comecei a treinar com uma assessoria de corrida e após um ano inteiro de muito treino, disciplina e resiliência consegui alcançar meu sonho. Felicidade me definiu e define até hoje, pois além de ter conseguido correr 5 km direto, parei de fumar definitivamente. Hoje sou atleta amadora de corrida de rua e de montanha. Estou longe de ser a melhor, mas com certeza estou na frente de muitos que desistiram antes mesmo de começar. Para se manter no esporte é necessário estabelecer pequenas metas. Ajuste o foco para pequenas conquistas que conduzam você ao destino esperado e comece”.


Raíssa Pafume Dias

“Desde criança sempre fui muito ativa em relação a exercícios físicos. Meus pais (Antônio e Eliana) foram meus grandes incentivadores e patrocinadores. Fui crescendo, passei por natação, handebol, futebol, vôlei, kickboxing, crossfit, a corrida até então era bem esporádica e embutida em outros esportes. Graças ao exemplo diário do meu pai, comecei a ir uma vez ou outra em alguns eventos de corrida, mesmo sem treinar. Em certo ponto da nossa vida, fomos surpreendidos por um câncer de pulmão de origem genética (ele nunca fumou) no meu pai, responsável por levá-lo precocemente, no auge da vida. Assim que ele partiu, minha família se encontrou com grupos de amigos que ele adquiriu na corrida para uma homenagem em um evento organizado especificamente para ele. A partir daí, me interessei em treinar corrida, efetivamente, e aos poucos fui sentindo todas as sensações às quais meu pai me falava. Comecei a correr porque entendi que correr é uma arte, é um esporte completo, é motivo de superação. Ela representa muito além da minha força para viver e superar o luto, pois também é minha fonte de amizade, de alegrias, de evolução como atleta, como pessoa e a grande motivação para superar os obstáculos da vida”.


Laís Pécora

“Existe uma versão minha, antes de me tornar adepta da corrida de rua, e uma depois. E quem me conheceu neste último ano, pode confirmar. Sou uma versão mais leve, espontânea e, por que não dizer: mais feliz? A corrida resgatou em mim o brilho no olhar, aquela vontade de superar meus desafios pessoais e até profissionais. Em um ano e pouco que estou frequente e constantemente correndo 5 vezes na semana, sinto uma transformação dos meus hábitos: acordo cedo, consigo fazer melhores escolhas alimentares e até mesmo consegui o grande feito de ser frequente na musculação. E a transformação se expandiu também para meu campo profissional: de concurseira convicta me descobri como advogada. Hoje me vejo como uma mulher muito mais forte, fiel a minha essência e tenho plena convicção de que a minha paixão pela corrida foi o pontapé inicial para que ganhasse mais qualidade de vida, qualidade de relacionamentos interpessoais e até mesmo profissionais”.


Diego Sousa

“Quando olho para trás, nesses dois anos de corrida, não imaginaria que conseguiria correr a quilometragem que faço atualmente. Meus inícios foram como a maioria dos corredores de Uberlândia, treinando os 5 km no Parque do Sabiá para uma prova que estava inscrito, e depois dessa prova fui tomando cada vez mais gosto, entrei para o grupo de corrida chamado RootRunner e conforme minha constância foi aumentando nos treinos procurei uma assessoria de corrida para melhorar minha performance. Depois disso, os 5 km passaram para 48 km, minha distância maior, e hoje as distâncias longas e com subidas são as modalidades que sou mais apaixonado. Com a corrida aprendi muitos valores, destacarei apenas um para não me alongar, sou prova viva de que, com disciplina, conseguimos feitos incríveis e hoje, quando passo por alguma vicissitude, sempre me recordo o quão poderosas são nossas virtudes para enfrentar as provas de corrida e da vida”.


Helena Ferreira e Paulo Ferreira

“Sou Helena e tenho 67 anos. Sempre fui esportista, competitiva e disciplinada. Por várias vezes tentei praticar a “corrida”, mas desanimava logo no início, até o dia em que me desafiei. Em 2012, com o incentivo do meu marido Paulo Cesar, comecei correndo e caminhando no Parque do Sabiá e comemorei no dia que consegui dar a volta completa correndo sem caminhar. Me senti que já era corredora. Fui aperfeiçoando, participando de todas as corridas possíveis em Uberlândia e queria chegar em 1º na categoria. Contando sempre com a companhia e apoio do Paulo, meu marido. Viajávamos para correr 5 ou 10 km sem dificuldades. Corremos São Silvestre, Bertioga, Guarujá, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bento Gonçalves, África do Sul, Dubai e Nova York. E o melhor de tudo isso são os grandes amigos que fizemos ao longo dos anos. Correr é um prazer, uma satisfação, é um sentimento inexplicável. Só sente quem corre”.


Paulo Ferreira

“Sempre fui esportista, mas em 2012, minha esposa Helena e eu, começamos a caminhar no Parque Sabiá. Logo fizemos a volta completa correndo, um incentivando o outro. Até passamos a correr em competições de 5 e 10 km, as do nosso ídolo Nilson Lima, São Silvestre, Nova York, Dubai, etc. Nem a pandemia nos impediu, corríamos dentro do apartamento, como mostrado nas redes de televisão. E hoje, com 71 anos, continuo correndo, o que para mim tornou-se um hábito saudável e prazeroso”.


Maria Cecília Oliveira Grabalos

“Sou uma corredora, mas muitas pessoas pensam ser brincadeira por conta da minha idade, tenho 13 anos. Mas o que elas não sabem é que para a corrida não há idade. Quando comecei a correr, aos 11 anos, confesso que achava esse esporte muito sem graça. Sair correndo do nada e parar depois de uma certa distância, não fazia muito sentido para mim, mas mesmo assim eu insisti. Corri pela primeira vez com minha mãe, uns 800 metros e como achei divertido, todos os dias eu fazia o mesmo percurso. Minha mãe, percebendo que eu estava gostando do esporte, me colocou na assessoria que já treinava, a Farnezi Santé, e a partir daí eu tinha planilhas que me orientavam e me ajudavam a evoluir. Sou muito grata a todos da assessoria, uma família de todas as idades que incentivam com uma energia contagiante e fazem a gente levantar 5 horas da manhã para começar o dia da melhor forma possível. Sou grata aos meus mentores, tia Ká e o tio Rafa, que me ensinaram e me transformaram em uma meia maratonista. Sou grata a minha família, que me apoia nesse estilo de vida com os dois pés, e esteve junto comigo sempre que eu precisei. Hoje tenho um vício saudável que quero levar para toda a vida. É difícil explicar meu amor pela corrida, é que quando você supera a si mesmo, em km, em pace, vem um mix de sentimentos… felicidade, orgulho, cansaço e dor muscular… E quando você chega no seu objetivo final, você já tem outro em mente. Para quem acha corredores loucos, só te digo uma coisa, somos mesmo, loucos por corrida”.


Rafael Mamede

“A corrida vai muito além da saúde física, a corrida faz a diferença na vida da nossa família, em especial na vida do Bruno Mamede, 19 anos, diagnosticado aos 4 anos com autismo. Em 2011, estávamos procurando um esporte que desse certo para ele, quando ele me viu caminhando no Parque e veio atrás de mim, eu pensei: quem sabe ele não corre com a gente, né? A partir daí começamos lentamente a correr e ele foi progredindo. Em dezembro de 2018, Bruno chegou à marca de 100 medalhas. Na pandemia corremos dentro de casa. Por meio da corrida, Bruno consegue amenizar os sintomas da doença. Para a conquista de 200 medalhas organizamos um evento, uma corrida que começou no Estádio e se estendeu pelo Parque do Sabiá, foram 5 km. Eu e ele mais uma vez compartilhando o momento e os benefícios da corrida. Na reta final corremos carregando um caiaque, uma referência do esporte que o Bruno começou a praticar durante a pandemia, na sequência pedalamos, o ciclismo se tornou outra paixão. Por fim, mais um pouco de corrida e a faixa da vitória. E pra finalizar teve pódio simbólico com a mãe colocando a 200ª medalha no filho. O amor pela corrida ultrapassou os limites da deficiência”.


Pedro Faria

“Mãe e filho, Cristiane e Pedro Faria, mantêm uma rotina de dedicação ao esporte há mais de 20 anos. Tudo começou em 2008 quando Cristiane começou a treinar corrida, em busca de mais qualidade de vida, incentivando seu filho a acompanhá-la. Pedro possui hoje, em seu currículo esportivo, dois Ironmans e duas maratonas sub3h, enquanto Cristiane completou sua primeira maratona em dezembro de 2021. Ambos julgam extremamente importante o impacto positivo que o esporte tem em suas vidas, sua rotina e projetos profissionais. Pedro trabalha na Ambev, na área de tecnologia, e Cristiane é mosaicista e corretora de imóveis”.

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