Me faça te entender

De todos, o mistério da Enologia é o que mais nos provoca.

Por Arlindo Maximiano Drummond

Foto Divulgação

Dos mistérios que tentamos aprofundar e que cada vez mais somos desmentidos, o mistério da enologia é o que mais nos provoca. Já sabemos o que Deus não é, já desvendamos de onde viemos e para onde iremos, quase chegamos perto de descobrir o mundo feminino, mas o vinho, esse nos intriga. Como podemos migrar para o novo mundo se não conhecemos os Garrafeiras e muito menos os Supertoscanos. Já evoluiu para os Sauternes e os Conhaques? Não entrar e depois sair do Velho Mundo é estupidez demais.


É tanta qualidade em Portugal, Espanha, Itália e França que aventurar em outra coisa, pelo mesmo preço, é desconhecer do que está falando. Grandes entendidos irão te empurrar experimentos que desafiam Terroirs, sabendo que ali nunca conseguirão o que já vem sendo estudado por nove mil anos. Não inventar moda é obrigação de conhecer primeiro os que se importam com vinho. Mas é mais fácil não pensar muito e ir pegando o que nos empurram, achando que vamos engolir qualquer informação. Sou bairrista, mas não posso defender o que não acredito, trocar uma das Américas por um do Velho Mundo é o mesmo que preferir o samba alemão ao nosso, trocar uma latina por uma dinamarquesa.


Enfim, ainda estamos nos conhecendo, fiquem à vontade, cheiros e gostos não se discute, descubra o seu e se, infelizmente, não és refinado, a disputa fica mais saudável para o meu lado. Concordo, talvez precisemos voltar muitas vezes à essa terra para evoluirmos e chegarmos ao ponto de não mais descer degraus e desfrutar do melhor e do mais justo.

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