Greice Ciarrocchi

Empresária vai da quase falência ao faturamento de mais de R$ 1 bilhão por ano.


Da Redação

Foto Divulgação

Greice Ciarrocchi: “Tratamos todos igualmente e estamos presentes na vida das pessoas, independente de quem seja”


Greice Ciarrocchi, CEO da CCS, empresa que cresceu exponencialmente, mesmo durante a pandemia, conta como conseguiu superar crises e manter a potência do negócio que herdou de seu pai. Empresária, mãe e especialista em liderança e relações humanas, Greice Ciarrocchi é o nome e a mulher à frente da CCS Tecnologia e Serviços SA, empresa brasileira que está entre as maiores do mundo no segmento de fornecimento de peças de aço soldadas e montadas de alta complexidade para empresas de máquinas de construção e mineração, máquinas agrícolas e empilhadeiras. Fundada pelo seu pai, Almir Ciarrocchi, há 25 anos, o negócio, que começou a partir da paixão e curiosidade do empreendedor habilidoso, visionário e que, filho de um ferreiro e uma cozinheira, desde os 15 anos, trabalhava fabricando portões no fundo do quintal de casa, transformando seu sonho com metal em uma das maiores empresas do país, com sedes próprias em Limeira (SP) e Palmeira (PR), que juntas reúnem 2 mil funcionários especializados. “Meu pai foi um grande mentor em minha vida. Aprendi muito com ele e sou muito grata pelos valores que me passou. Com ele, aprendi que o impossível não existe. Ele sempre foi muito ousado e sabia aproveitar todas as oportunidades, fazendo acontecer”, conta Greice Ciarrocchi, que assumiu como CEO em 2017, após o falecimento de Almir. “Eu já estava há muito tempo na empresa, sempre falo que cresci com a CCS e ela cresceu comigo. Nasci no meio empresarial e escutando muito meus pais falarem sobre negócios. Então, aos 17 anos, decidi estudar Administração”, revela. A empreendedora, que herdou o talento familiar, se formou na Universidade Estadual Paulista (Unesp) com um ano a menos. Aos 20, já fazia estágio em uma das maiores empresas de carros do país, até seu pai convencê-la a trabalhar com ele na CCS, quando a empresa tinha somente quatro anos. “Comecei fazendo de tudo e sem experiência alguma. Nessa época, comecei a negociar contratos com grandes empresas e um deles levou a CCS para um outro patamar. Contratamos 60 pessoas em tempo recorde e começamos o fornecimento de peças para uma grande multinacional. Em 6 meses, mudamos para nossa sede própria, no interior de São Paulo, e a empresa começou a crescer ano após ano”, explica Greice, que assumiu as rédeas da indústria em um cenário que não era tão satisfatório.


De 2015 a 2017, a CCS passou por uma crise que fez com que o negócio quase chegasse à falência. O faturamento, que em 2014 era de 217 milhões de reais, foi despencando até apresentar somente R$139 milhões em 2016. A situação se agravou, pois a empresa havia investido na construção da fábrica de Palmeira (PR), inaugurada em 2015, e meses depois os clientes cancelaram todos os pedidos por conta da situação do mercado. Na época, 515 funcionários, dos 1.115 colaboradores ao todo, precisaram ser dispensados. Empréstimos nos bancos tiveram que ser renegociados e a venda de bens pessoais de Greice e sua família precisaram ser feitas para manter o negócio que ela e seu pai tanto acreditavam. “Em 2016, até tentamos vender a CCS, mas, pela situação, ninguém quis comprar. Foi um ano muito desafiador. Era vender o almoço para comprar a janta. Nunca sabíamos como iria ser o próximo mês e uma renomada consultoria financeira que havíamos contratado dizia que iríamos falir e que não ia dar certo tentar salvar a empresa. A partir de meados de 2016, o meu pai já estava bastante doente e precisou começar a se ausentar da empresa”, ressalta.


Apesar disso, Greice e seu marido, Ricardo Perez, diretor comercial da empresa, não desistiram e continuaram buscando alternativas e trabalhando com garra, transparência e honestidade. Apesar de todo o cenário, eles não pararam de buscar novos negócios, bem como diversificar os mercados atendidos. “Sempre fomos sinceros com nossos colaboradores, clientes e fornecedores sobre o nosso caso. Quando eu tive que demitir mais de 500 pessoas, que possuem famílias, foi uma dor muito grande que fez com que eu me conectasse com o meu propósito, com a minha missão e com a consciência de que minhas responsabilidades impactam famílias. Começamos a superar a crise em meados de 2017, por meio de muita fé, trabalho, dedicação, coragem, humildade, transparência, honestidade e conexão com o todo”, explica Ciarrocchi, que conta com 2 MBAs, em Gestão Empresarial, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e em Finanças, pelo IBMEC, além de cursos voltados para o autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, jornadas pessoais que passaram a fazer parte da empresa a partir da sua gestão. “Quando comecei a perceber minha evolução pessoal e profissional, realmente me encantei e tive uma vontade imensa de que todos ao meu redor pudessem se desenvolver e crescer, assim como aconteceu comigo. A partir daí, na CCS passamos a investir em cursos de inteligência emocional, liderança, entre outros”, enfatiza a empreendedora, que acredita que o mundo precisa, urgentemente, de líderes conectados, com propósito, conscientes, que transcendem o ego e têm ciência do seu impacto, sem estarem focados apenas em si mesmos, mas no todo.


Dessa forma, ela e Ricardo desenvolveram juntos o Método NEXT - O Próximo Estágio para a Liderança. O treinamento exclusivo busca preparar coordenadores, gestores e diretores para uma liderança humanizada, com o objetivo de olhar cada colaborador como único e trabalhar os seus pontos fortes, fazendo com que todos se sintam bem e felizes em um espaço de confiança. A CCS foi por três anos consecutivos certificada pelo Great Place to Work, consultoria global que seleciona e consagra, anualmente, as melhores empresas para se trabalhar, por meio de avaliações das práticas e ações de diferentes instituições. “Temos a característica de ser uma liderança muito simples, acessível e que ajuda ao maior número de pessoas possível. Tratamos todos igualmente e estamos presentes na vida das pessoas, independente de quem seja. Temos 2 mil funcionários que estão felizes por trabalhar lá, mas quero sempre fazer mais por eles, para que as pessoas realmente escolham estar lá por prazer todos os dias. Eu quero que a CCS cresça e evolua cada vez mais, sem perder a parte humana e de família, em que um ajuda o outro, sabendo que pode contar com as pessoas”, acentua Greice, que prevê faturamento de 1 bilhão de reais para a empresa até o fim deste ano e crescimento de 25% para o ano seguinte.


Atualmente, a empresária busca usar a sua voz e conhecimento para ajudar pessoas e empreendedores de dentro e de fora da CCS, por meio de suas redes sociais. “Este é um dos meus sonhos: ajudar empresas e líderes que querem se tornar pessoas melhores. Busco dar dicas do que aprendi em tudo o que eu passei e, se eu puder inspirar, energizar ou incentivar alguém que esteja passando por dificuldades, já me sinto realizada”, conclui.


Sobre a CCS Tecnologia e Serviços SA

Fundada por Almir Ciarrocchi, em 1996, a CCS é uma empresa especializada no fornecimento de peças de alta complexidade para negócios espalhados por todo o globo. Atualmente, comandada por Greice Ciarrocchi, filha do idealizador e herdeira do empreendimento, a CCS é certificada por três anos consecutivos pelo Great Place to Work, consultoria global que seleciona e consagra anualmente as melhores empresas para se trabalhar. Com uma gestão humanizada, o empreendimento incentiva a diversidade e a inclusão, contratando mulheres e deficientes físicos para todas as áreas, dando oportunidade igualitária para que todos se desenvolvam. Além disso, Greice desenvolveu juntamente com Ricardo Perez, diretor comercial da empresa e seu marido, o Método NEXT - O Próximo Estágio da Liderança, projeto que busca treinar novos líderes, para que sejam conscientes e conectados com um propósito maior, transcendendo o ego e seus próprios interesses, para desenvolver a consciência de que eles podem impactar as pessoas ao redor. Hoje a empresa conta com duas sedes próprias: uma em Limeira (SP) e outra em Palmeiras (PR).

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