Especialista te ensina a organizar a vida financeira e sair do vermelho até o fim do ano



Desemprego, diminuição da renda, descontrole financeiro e falta de educação financeira são algumas das razões para que milhares de brasileiros se tornem inadimplentes


A metade do ano já chegou e as contas só vão aumentando. O fim e o início do ano são sem dúvidas as duas épocas que mais há contas para pagar, por isso é preciso se preparar para não passar por elas com aperto. Convidamos o especialista financeiro do Banco Semear, Cristiano Bernardino, para dar dicas de como se organizar para limpar o nome e se livrar das dívidas.


Com a crise no Brasil é normal que as famílias encontrem dificuldades em alguns momentos para honrar os compromissos de pagamento por compras de bens de consumo ou serviços. De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Peic/CNC), 77,7% dos lares no país estavam endividados, com dívidas a vencer em abril, o maior nível desde o início da série histórica, em 2010.


“Em função da pandemia, o cenário econômico registrou retração, e levou muitas famílias à perda do poder de compra com um ou mais integrantes no rol de desempregados; houve diminuição na renda em função da redução de jornada de trabalho; e grande parte dos brasileiros não têm uma educação financeira básica, que é saber gastar/investir dentro do teto que ganha”, diz Cristiano.


Para tirar a corda do pescoço e tentar organizar a vida financeira até o fim do ano, Bernardino dá algumas dicas sobre como usar os sete próximos meses para tentar sair do vermelho e passar a virada de ano sem nome sujo na praça.


  • Em primeiro lugar é muito importante saber quanto a família tem de renda disponível por mês, então coloque no papel;

  • É importante também saber qual o valor de todos os gastos fixos e imprescindíveis para a família, como moradia (parcela do financiamento da casa própria ou aluguel), condomínio, IPTU, água, luz, internet; gastos com escola dos filhos; transporte; alimentação; saúde;

  • Depois, anote todos os gastos variáveis e que podem ficar para depois, como gastos com hobbies, lazer; beleza; gastos extras de fim de semana, enfim, tudo detalhado;

  • Feito isso, subtraia todos os custos fixos da renda e veja quanto sobra por mês para a família;

  • Tenha também anotadas todas as dívidas, colocando o valor, para quem deve, o valor da taxa de juros, quanto já pagou e quanto ainda falta pagar.


“Sei que gastos com lazer, hobbies, beleza são itens importantes, mas este momento exige sacrifício. Então busque alternativas de lazer gratuitas como uma ida ao parque, brincadeiras ao ar livre e quando a situação financeira se regularizar esses itens podem retornar à rotina familiar. Sobre o plano para zerar as dívidas, ele vai no mesmo sentido. Identificando valores, juros e parcelas a serem saldadas, fica mais fácil priorizar o que pagar primeiro. Por isso sugiro a criação de um plano de pagamento das dívidas e a opção de sempre quitar primeiro as que cobram os juros mais altos”, argumenta o especialista.

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