De gestor a governador de Minas Gerais

Depois de passar por diversas funções ao longo de sua carreira, assumir a gestão das Lojas Zema e levar a marca a mais de 400 lojas, Romeu Zema decidiu que era hora de ajudar seu Estado a ter uma gestão mais eficiente e se tornou o governador de Minas em sua primeira disputa eleitoral.


Por Analú Guimarães | Serifa Comunicação

Fotos Divulgação | Secretaria de Governo

“Ser um vencedor é ser uma pessoa que se entrega ao trabalho”


Natural de Araxá, 57 anos (28 de outubro de 1964), Romeu Zema é pai de dois filhos. Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP), iniciou sua trajetória profissional bem cedo, aos 11 anos, seguindo os passos de seu pai. Ao longo de sua carreira atuou em diversas funções, como cobrador, frentista, balconista, estoquista, caixa, comprador, vendedor, analista de marketing, analista comercial e gerente. Em 1991, assumiu o controle das Lojas Zema e foi responsável pelo salto que levou a rede varejista de apenas quatro unidades em Minas Gerais a atingir a marca de 430 lojas, incluindo os Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia e Espírito Santo. Apaixonado por gestão e desenvolvimento de pessoas, incentivou práticas que se refletem na presença do Grupo Zema no ranking das “Melhores Empresas para se Trabalhar” há 15 anos, de acordo com pesquisas do Instituto Great Place to Work. Atualmente, Romeu Zema é membro do Conselho do Grupo Zema, composto por empresas que operam em cinco ramos: varejo de eletrodomésticos e móveis, distribuição de combustível, concessionárias de veículos, serviços financeiros e autopeças. São 5 mil empregados diretos e aproximadamente 1500 indiretos. O Grupo Zema é a maior rede a atender prioritariamente as cidades do interior do Brasil com até 50 mil habitantes. Em 2019, se tornou governador de Minas Gerais, sem nunca antes ter se entremeado no mundo da política, vencendo as eleições com 71,80% (6.963.806) dos votos válidos. Na oportunidade, disse que deixava de ser o candidato de muitos para se tornar o governador de todos.

“Temos que ter no Estado a mesma visão das empresas, de só gastar o que se tem”


Em entrevista exclusiva para a jornalista Analú Guimarães, o governador Romeu Zema fala sobre a experiência na gestão pública, os desafios que enfrentou e ainda enfrenta desde que entrou no governo, além de fazer um balanço das ações tomadas para tentar tirar o Estado da “falência”, entre outras curiosidades. Confira o papo exclusivo para a Hub Club.


Como foi sair de uma experiência de anos na gestão privada e trabalhar na gestão pública? O que mais te impactou ou ainda tem impactado? Existe muita diferença?

Embora a gestão pública tenha suas particularidades, é possível implantar boas práticas que dão certo nas empresas. Um exemplo é que os nossos secretários de Estado passaram por um processo de seleção para serem nomeados. Muitos deles eu nunca tinha visto. Foram escolhidos pela competência. Isso aconteceu também com outros cargos importantes no Estado. Logo no início do governo, lançamos o Transforma Minas, um processo seletivo transparente e criterioso para preenchimento de vagas em posições estratégicas e cargos de liderança no Estado, que são os cargos de livre nomeação do governador. Também buscamos fazer mais com menos, por isso, fizemos uma reforma administrativa em que cortamos milhares de cargos comissionados e reduzimos de 21 para 12 secretarias. Além disso, as estatais passaram a ser administradas de forma séria e eficiente, atendendo critérios técnicos, e não interesses político-partidários. Temos que ter no Estado a mesma visão das empresas, de só gastar o que se tem. Essas e outras iniciativas são fruto da experiência em administração privada que eu tive e que busco aplicar no Estado.


“O governador não é um rei, é um servidor público”


Como você encontrou o Estado?

Enfrentamos dificuldades de toda ordem no Governo, desde o início, em 2019. O Estado estava praticamente falido, devendo salário aos servidores públicos, com repasse aos municípios atrasados, sem pagar fornecedores e sem recursos para investimentos. O passivo de despesas era de R$ 34,5 bilhões e um orçamento deficitário em R$ 15,1 bilhões para 2019. Não bastasse isso, tivemos o desastre de rompimento da Barragem de Brumadinho e a pandemia. Além disso, vimos uma máquina pública que não era usada para o benefício do cidadão. Muitos gastos desnecessários, um ex-governador que vivia em um palácio custeado pelo Estado, frota de aviões que não atendia a população. Fizemos muitas importantes mudanças neste sentido.


Quais foram as primeiras ações para tentar organizar a situação?

Como principal vitória da minha gestão logo nos primeiros meses do governo cito o compromisso assumido junto aos 853 municípios mineiros de quitar os débitos de ICMS, IPVA e Fundeb deixados pela administração passada relativos aos anos de 2017 e 2018. Foram R$ 7 bilhões acertados neste acordo com a Associação Mineira de Municípios (AMM). Esse descumprimento dos repasses prejudicava, e muito, os municípios. Desde o acordo e com esses repasses sendo feitos rigorosamente em dia vemos o quanto é benéfico para os prefeitos ter previsibilidade para programar suas ações, pagar o funcionalismo, finalizar obras paralisadas. Mas também adotei medidas importantes de impacto direto no dia a dia de um governador. Sempre disse que um governador não é um rei. Por isso, ele deve ser tratado como um servidor público que está ali para servir. Optei por não morar no Palácio das Mangabeiras, aluguei uma casa que custeio com meus recursos. Determinei que as aeronaves do Estado sirvam às forças de segurança de Minas, inclusive levando órgãos para doação, atendendo ocorrências de desastres. Mensalmente faço a doação do meu salário a instituições filantrópicas. São pequenos atos que, a meu ver, mudam a visão sobre a verdadeira função de um governador.

“Não sou um profissional da política, meu objetivo é melhorar a vida dos mineiros”


Qual balanço você faz desde que começou o mandato? Cite as principais ações tomadas. O que de concreto já fez para o nosso Triângulo Mineiro?

Fizemos muito. Não fizemos tudo que queríamos, mas obtivemos importantes conquistas. Em janeiro, pela primeira vez em nove anos, o Estado apresentou equilíbrio fiscal nas contas públicas. Nossa receita arrecadada foi maior que as nossas despesas, fruto dos esforços da administração na gestão responsável das finanças. Outros avanços importantes foram obtidos, como o pagamento integral, sem atrasos e sem parcelamento, do 13º salário dos servidores após seis anos. Colocamos em dia o salário do funcionalismo. Estamos pagando o passivo de férias-prêmio convertidas em espécie, totalizando R$ 701 milhões. Do ponto de vista dos municípios, assinamos importantes acordos com a Associação Mineira dos Municípios (AMM) para o pagamento da dívida de R$ 6,7 bilhões relacionada a repasses da verba de saúde, além do pagamento dos repasses atrasados de ICMS, IPVA e Fundeb deixados pela administração passada. Mas regionalmente acredito também que as conquistas foram relevantes. No caso do Triângulo Mineiro, investimos mais de R$ 143 milhões em 2021 na Educação, com mais de 30 obras em escolas da região dentro do programa Mãos à Obra na Escola. Repassamos também recursos, mais de R$ 46 milhões, para a compra de mobiliários e equipamentos para unidades escolares, permitindo uma melhor estrutura para professores e estudantes. Fizemos investimentos em infraestrutura, como a obra do Contorno Sul de Uberlândia. Na Saúde, disponibilizamos equipamentos para as cidades, ampliamos leitos de UTI Covid em hospitais locais, repassamos recursos para o enfrentamento da pandemia. Já na Segurança, inauguramos casas de semiliberdade, unidade socioeducativa, a primeira Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) juvenil no município de Frutal, entregamos veículos para sistema prisional e Bombeiros, entre inúmeras outras ações.


O que ainda precisa ser feito?

Temos importantes projetos de concessão em andamento, como o Rodoanel, que é o nosso principal projeto de infraestrutura, e já lançamos o edital de licitação. Há ainda o lançamento dos lotes rodoviários 1 e 2 do Triângulo Mineiro e Sul de Minas, com leilão previsto para março. Mas sabemos que para consolidar de forma segura o equilíbrio das contas públicas do Estado, meta perseguida desde que assumi o Estado, precisamos da adesão de Minas ao Regime de Recuperação Fiscal, que está em análise na Assembleia Legislativa. Essa aprovação evitaria desembolso de recursos que dificultariam a sustentação dos nossos compromissos atuais e impediriam medidas como a recomposição salarial para os servidores públicos e outras ações importantes para o desenvolvimento do Estado e a prestação de serviço.


Como foi gerir a crise da pandemia em meio a tantos outros pontos que também precisavam de atenção?

A pandemia foi um desafio inesperado e com impactos em todas as áreas do Estado. Mas, Minas Gerais alcançou a menor taxa de óbitos pela doença entre os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Estamos fazendo a maior operação de vacinação da história de Minas, agora ainda maior com a imunização das crianças, disponibilizamos mais de 156 mil kits de intubação a hospitais, entregamos as vacinas em tempo recorde aos 853 municípios, mais do que dobramos o número de leitos de UTI. Em 2021, nossos investimentos em Saúde foram recordes, somando R$ 8,5 bilhões, um crescimento de 77% em relação a 2015. Apesar da crise sanitária, também obtivemos importantes resultados em outras áreas, como a atração de investimento recorde, que já ultrapassa R$ 193 bilhões desde o início da minha gestão e investimentos recordes em Educação.


Em suas redes sociais você sempre fala que está governador. Por que adotou esta linguagem?

Entrei na política e aceitei me candidatar ao cargo de governador para mudar o que estava posto, um modelo antigo, que não atendia aos interesses da população. Fui eleito em 2018 para gerir e ajudar a mudar a realidade de Minas Gerais e é isso que me proponho a fazer. Da mesma forma que não tinha uma carreira política anterior à eleição, não sou um profissional da política e não faço dela a minha meta. Meu objetivo é melhorar a vida dos mineiros.


É possível governar e fazer política de forma ética?

Sem dúvida. No meu governo criamos um núcleo de combate à corrupção e aumentamos em mais de três vezes a nossa capacidade de processamento de grandes volumes, que é fundamental para uma auditoria. A corrupção só interessa a determinados grupos, e não à população que fica empobrecida, esquecida e relegada a segundo plano. Este é mais um passo, mais um avanço na direção de um Estado e de um país mais transparente. Hoje, Minas lidera o ranking de transparência pública, com pontuação máxima na Escala Brasil Transparente, da Controladoria-Geral da União (CGU), divulgada em março de 2021. Quando assumimos o governo, o Estado ocupava a 20ª colocação.


Já se fala que você é um futuro candidato à Presidência do Brasil. Você está disposto a concorrer?

Minha preocupação é governar, manter um cenário de evolução em Minas. As eleições estão distantes e não são meu tema de interesse no momento. Temos que parar de debater as eleições, colocando essa disputa à frente dos interesses da população.


O que é importante para se ter um DNA de vencedor?

As vitórias vêm do trabalho. Sempre me pautei pela dedicação. Foi assim na minha empresa, é assim no governo do Estado. Para colocar o trem nos trilhos, que é o que estou fazendo em Minas, para se alcançar o sucesso, seja ele qual for, você tem que se dedicar. Então, ser um vencedor, para mim, é ser uma pessoa que se entrega ao trabalho.

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