A solução para a indústria da construção civil é o conhecimento

Proprietário e administrador da “Novo de Novo Construções e Treinamentos” fala sobre mercado e importância da mão de obra qualificada.

( Na foto acima o empresário marcando presença como palestrante em um dos eventos mais importantes da arquitetura do Centro-Oeste )


Publi Editorial

Fotos Divulgação


Os números da indústria da construção civil no ano de 2021 foram impressionantes. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, foram criadas 284.544 vagas dentre várias ocupações em um canteiro de obras - uma variação de 111% em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo em meio à crise da Covid-19, o setor não só seguiu em crescimento, como aumentou exponencialmente os resultados.


Conforme os indicadores imobiliários da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), no comparativo de 2020 e 2021, houve registro de aumentos de 22,54% de unidades habitacionais vendidas no país e incríveis 37,55% de crescimento em unidades lançadas. Contrariando todas as expectativas do setor e da decadência de vários outros setores da economia, que se deterioraram diante da pandemia.


Sobre esse tema, a revista Hub Club falou com o empresário de sucesso nascido em João Monlevade (MG), que atualmente vive e mantém negócios concentrados em Goiânia (GO), Daniel Lima de Andrade. Ele é proprietário e administrador da “Novo de Novo Construções e Treinamentos” que tem mais de 10 anos de mercado e vem incorporando e vendendo empreendimentos de sucesso, além de atender vários empresários, condomínios, empresas e pessoas particulares no setor da construção.


Com formação técnica em edificações, Daniel iniciou a trajetória no ramo da construção em 2010, com o pai, que é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é mineiro de Belo Horizonte, a quem atribui todo o sucesso profissional que teve até aqui.


Daniel, como você enxerga atualmente o cenário econômico da construção civil no país, na pele de quem o vive no dia a dia?

É preciso primeiramente entender que a construção civil, na minha opinião, nunca foi para todo mundo. O cenário atual reitera mais do que nunca essa fala. Vivemos um cenário extremamente competitivo, onde a concorrência são os grandes incorporadores, grandes e médias construtoras e, por fim, pequenas construtoras e construtores autônomos. Há uma farta oferta de produtos no mercado, e mais ainda, compradores dispostos a adquirir.


A que se deve, na sua opinião, o aumento das unidades habitacionais e grande oferta de empreendimentos?

Para mim, a pandemia teve papel fundamental no comportamento das pessoas, que por sua vez influenciou o mercado. Tivemos dois fenômenos distintos neste período: um é o emocional e o outro foi efetivamente o financeiro. O primeiro fenômeno foi que pessoas durante a incerteza sobre a própria vida aceleraram os sonhos muitas vezes engavetados de adquirir bens materiais como, por exemplo, uma nova moradia ou fazer aquela tão sonhada reforma da casa. O segundo fenômeno foi os que projetaram investimentos em outros tipos de sonhos de consumo que por sua vez aqueceu determinados segmentos da economia, o que fez elevar o preço destes produtos em função da lei da oferta e da procura. E empresário inteligente, com dinheiro no bolso, sempre lembra da máxima que vovô dizia: “Quem compra terra não erra”. Eis aí um dos motivos do surgimento de novos incorporadores e construtores, bem como toda cadeia produtiva da indústria da construção civil.


Isso explica o aumento dos preços destes empreendimentos?

Não acredito que a alta demanda por aquisição seja o único motivo. Além do fator de mercado “oferta x consumo” que sempre existiu, é importante citar que em função da pandemia tivemos um blackout de abastecimentos de insumos de toda ordem para fabricação de produtos em geral, ocasionado pelo lockdown, que fechou indústrias no mundo todo, afetando produção e transporte destes itens ao destino final. Motivo pelo qual grande parte da culpa dos aumentos é dos produtos, atingindo elevados patamares. Agora, não podemos deixar de salientar que parte do empresariado do segmento se faz deste argumento até os dias de hoje para manter lucros onde sempre quiseram. A cada dia que passa estamos retomando a vida normal e os preços precisam se equalizar novamente com a realidade do brasileiro.


Neste cenário onde existem várias frentes de concorrência, como se destacar como empresa ou empreendedor autônomo neste ramo?

Acredito que se o mercado continuar nesta crescente, em poucos anos teremos um desequilíbrio onde encontraremos muito mais ofertas que compradores, o que o deixará em vantagem para escolher pela melhor localização, qualidade construtiva, acabamentos e materiais melhores, além da reputação daquela empresa ou empreendedor autônomo. Neste momento o próprio mercado será implacável com aquele que não se atualiza. É fundamental buscar melhorias técnicas no processo construtivo, empregando tecnologia sustentável e sempre atento às tendências do mercado. Essas e outras práticas fazem o empreendimento sustentável a longo prazo.


Sobre sua empresa, a Novo de Novo, onde ela se encontra hoje e onde você a enxerga no futuro próximo?

A Novo de Novo é uma empresa consolidada. Temos vários empreendimentos de sucesso construídos ao longo destes 10 anos de existência. Para mim, o grande desafio deste mercado sempre foi a qualificação do profissional dentro do canteiro de obras. O curioso é que se conversar sobre o tema com empresários e engenheiros mais experientes há 20 ou 30 anos atrás, o grande problema encontrado na época era exatamente o mesmo de hoje. Isso mostra que pouco avançamos neste quesito. E quando olhamos para os dias de hoje, com o mercado tão aquecido e não encontramos profissionais de qualidade, acaba também sendo outro motivo pelo qual se explica os elevados preços dos custos dos empreendimentos. O Brasil investe muito pouco na capacitação profissional dos operários da construção e muito daqueles que buscam escolas de qualificação acabam não concluindo os estudos por cansaço da dupla jornada ou por falta de recursos financeiros. A Novo de Novo entendeu que a solução para a indústria da construção civil é o conhecimento e vem se posicionando no mercado como uma empresa de prestação de serviço de capacitação profissional para construtoras que entendem que o maior ativo é a formação de mão de obra qualificada dentro da empresa. Ter um departamento devidamente capacitado para introduzir nos colaboradores noções de moral e ética, além do próprio aprimoramento da mão de obra, faz dessa empresa uma geradora de mão de obra farta para auxiliá-la a escalar o mercado.


Qual ou quais foram os grandes cases de sucesso da Novo de Novo e qual a transformação esta empresa pode experimentar?

Essa é uma ótima pergunta para exemplificar que o problema da falta de mão de obra qualificada é uma patologia experimentada por empresas de todo porte arisco dizer até do mundo todo. Cito dois cenários distintos aqui. Trabalhei em conjunto com o empresário Kemerson Vieira, da Empresa IOD Brasil de UberlândiaMG, que trabalha com obras de pequeno e médio porte e que encontrava dificuldade de escalar o negócio. Aplicamos o programa G.Q.O (Gestão da Qualidade de Obra) que consiste em capacitar a mão de obra para necessidades específicas da empresa. Importante dizer que a valorização humana dentro da organização é parte fundamental para o sucesso do programa.

Em outro cenário trabalhamos com uma empresa de grande porte de São Paulo com obras de grande vulto e com capital aberto na Bolsa, a Incorporadora RNI Negócios Imobiliários (RDNI3), empresa do Grupo Rodobens em parceria com o diretor Sérgio Batista Coimbra, a empresa na época enfrentava dificuldades no canteiro de obras da mesma forma que a empresa pequena de Uberlândia. Lembro de apurar o faturamento antes e depois da implementação do programa, onde entre os meses de abril e junho de 2020, o VGV (Valor Geral de Vendas) foi de R$149.9 milhões de reais e no mesmo período do ano seguinte depois do programa pudemos apurar um VGV de R$180.2 milhões de reais. A mudança e consciência da empresa durante o processo de implementação do programa foi tamanha que incorporamos ao compliance da empresa a política de treinamentos e capacitação profissional da mão de obra. Todo colaborador antes de embarcar no canteiro de obras, além de qualificado o programa discorre sobre a ética e moral, bem como os valores da empresa, contribuindo para as boas relações interpessoais dentro da obra.



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